VÍDEO: Elza e Tereza lutaram até soltar seus filhos inocentes, que foram presos como milicianos

Eles estavam entre os 159 presos da desastrosa operação da intervenção militar federal no Rio de Janeiro.

VÍDEO: Elza e Tereza lutaram até soltar seus filhos inocentes, que foram presos como milicianos

Encontrei Tereza Cristina Barbosa no dia 25 de abril em frente ao fórum de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Fazia duas semanas que não nos víamos, desde um domingo quando conversamos sobre seu filho e seu sobrinho, ambos presos em uma festa, acusados de serem milicianos. Foram 159 detidos em uma ação policial desastrosa, definida pelo secretário de Segurança Pública do Rio, o general Richard Nunes, como “a mais exitosa operação” da intervenção militar federal.

Naquele dia, diante do Forum, Tereza esperava o alvará da soltura do filho. Ele e outras 137 pessoas seriam soltas pela total ausência de provas, ou sequer investigações, que colocassem elas em qualquer grupo de milícia. Estavam presos havia 17 dias. Junto com Tereza, conheci Elza do Vale, mãe de Thiago, porteiro de um condomínio na Barra da Tijuca, também preso. Juntas, elas passaram toda a tarde esperando os alvarás.

A tensão se dissolveu quando Elza saiu do edifício, atravessou a rua e gritou: “Meu filho vai ser solto!”. Todos comemoram aos gritos de “justiça, sim, injustiça, não”. Elza levou uma das mãos ao peito e suspirou.

Voltei a encontrar as duas mães na porta do presídio de Gericinó, em Bangu, na manhã do dia seguinte. Era de lá que sairiam os presos inocentes. Elas estavam aflitas e ansiosas. Passaram o dia debaixo de um sol a pino a espera da soltura de seus filhos. Os presos começaram a sair aos poucos, e a cada minuto que passava, mais ansiosas as mães, que ali estavam às dezenas, ficavam. Uma delas passou mal e foi levada ao Hospital. Não pôde ver seu filho sair da prisão. Foram mais de doze horas de espera até que o Crystian, filho da Tereza, saísse.

Era o fim visível da mega operação que prendeu mais de 100 inocentes só porque eram pobres, subjugando todos em uma festa aberta, com ingresso e entrada pública, deitados no chão, de costas e sem camisa, como se fossem nada. Não é o fim, no entanto, para os que perderam o emprego, para os que deixaram de trabalhar como autônomos, para os que, mesmo inocentes, serão julgados por olhares de desconfiança pelo resto da vida. Não é o fim para quem conheceu a cadeia pela primeira vez sem merecer.

Imagem em destaque: Ian Cheibub

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