Eu estive no Democracy Now esta manhã, falando sobre a excepcional situação que se desenrola hoje no Brasil; o vídeo (com legendas em português) pode ser visto acima.
Durante as Olimpíadas, o “presidente interino” Michel Temer, temendo vaias, quebrou o protocolo ao exigir que seu nome não fosse anunciado quando ele apareceu na Cerimônia de Abertura (ele foi intensamente vaiado de qualquer maneira) e depois se escondeu, não comparecendo à Cerimônia de Encerramento. Em amplo contraste, a presidente realmente eleita da nação, Dilma Rousseff, decidiu ir ao Senado hoje para confrontar seus acusadores, quando a gangue de corruptos e criminosos que constituem o Senado brasileiro encaminha o fim do julgamento do impeachment, com o resultado virtualmente inevitável de que a presidente duas vezes eleita Dilma seja removida do cargo. É a personificação da covardia x coragem:
Young Dilma, facing her dictatorship accusers, who cowardly hid thr faces. She mentioned them in her speechpic.twitter.com/9hEh06tuQU #Brazil
— Angela Milanese (@AngelaMilanese) August 29, 2016
O aspecto mais notório disso tudo – e o que distingue fundamentalmente o processo de um impeachment nos EUA, por exemplo – é que a remoção de Dilma leva ao poder um partido completamente diferente, que não foi eleito para a presidência. De fato – como documentado por meus colegas do The Intercept Brasil, João Filho e Breno Costa, esta semana –, a remoção de Dilma está empoderando exatamente o PSDB, partido de direita que perdeu as últimas quatro eleições nacionais, incluindo a derrota para Dilma há 21 meses. Em alguns casos, as mesmas pessoas deste partido que concorreram e perderam estão agora no controle de ministérios chave do país.
Como resultado, o governo não eleito prestes a tomar permanentemente o poder está preparando uma série de medidas – da suspensão do exitoso programa de combate ao analfabetismo, a privatização dos recursos nacionais e as “mudanças” de vários programas sociais ao abandono das alianças regionais em prol do retorno à subserviência aos EUA – que nunca foram ratificadas pela população brasileira e nunca seriam. Não importa se você chama de “golpe” ou não, isso é a antíteses da democracia, um atentado direto a ela.
Enquanto Dilma entrava no Senado, eu discuti o tema em entrevista ao Democracy Now, esta manhã, que você pode assistir (com legendas em português) no vídeo acima. Também falei sobre os vários aspectos da campanha de 2016 à presidência dos EUA, que podem ser conferidos aqui e aqui.
A VERDADE CUSTA CARO. O SILÊNCIO CUSTA AINDA MAIS.
As informações que você acabou de ler incomodam muita gente poderosa. É por isso que tentam nos silenciar com processos, ameaças e difamação.
A única barreira entre a verdade e a impunidade é um jornalismo sem rabo preso. O Intercept Brasil não tem donos bilionários e não aceita um único centavo de bancos ou políticos.
Nós acabamos de entregar os fatos. Agora, a bola está com você. Se essa história te indignou, transforme isso em ação. Mostre a eles que não estamos sozinhos e garanta que ninguém nos cale.



