O ‘green card’ de Eduardo Bolsonaro é o prêmio máximo por seu capachismo aos EUA

Autoproclamado patriota ganhou visto de residência após fugir da Justiça brasileira e agora vira pesadelo para a campanha do irmão.

Caos e Paixão

Parte 17

Na newsletter Caos e Paixão, João Filho disseca o cenário político, judicial e social com a experiência de quem construiu o Jornalismo Wando — unindo ironia e uma visão crítica que você não encontra na grande mídia.


“Fritei hambúrguer nos EUA” — essa foi uma das justificativas que Eduardo Bolsonaro usou para explicar a indicação do seu pai para o cargo de embaixador em Washington. À época, 2019, as críticas contra a possível nomeação foram tantas que ele acabou desistindo do cargo. Mas o american dream permaneceu vivo no coração desse patriota.

Depois que o golpe do seu pai não deu certo e os golpistas começaram a rodar na justiça, Eduardo largou o batente na Câmara e foi viver o sonho americano à sua maneira.

Pegou 2 milhões do papai e se mandou com a família para o Texas, sob o pretexto de estar sendo perseguido no Brasil. De lá pra cá, o patriota não fez nada além de trabalhar contra o seu país e em defesa dos interesses da sua família e do governo americano. 

Nesta semana, a subserviência de Eduardo foi premiada por Donald Trump. De tanto balançar o rabinho para o Tio Sam, o patriota ganhou o tão sonhado green card, que lhe garante o direito de morar por tempo indeterminado nos EUA.

O documento confere certa blindagem ao ex-deputado — que está condenado a 4 anos e 2 meses de cadeia pela justiça brasileira — porque torna a possibilidade de extradição ainda mais remota. É um prêmio e tanto. 

Condecoração pelo capachismo

O visto concedido é da categoria EB-1A, destinado apenas a quem tem habilidades extraordinárias em artes, cultura, ciências, esportes, negócios ou educação. É sabido que Eduardo não é propriamente um homem talentoso, o que torna evidente que o green card é uma condecoração pelo capachismo. 

A única habilidade extraordinária que Eduardo tem, além de fritar hambúrguer, é a de atrapalhar a candidatura do seu irmão, Flávio Bolsonaro, pré-canditado à Presidência da República pelo PL.

É curioso notar que, mesmo sabendo que as peripécias nos EUA não estão sendo sucesso de público, Eduardo e Paulo Figueiredo insistem em manter a estratégia equivocada. É fato que a maioria do eleitorado acredita que o senador apoiou o tarifaço americano para prejudicar o governo Lula, mas mesmo assim a duplinha do barulho insiste em cantar aos quatro cantos a influência que tem junto ao governo americano.

Eles deveriam ser mais discretos quanto à obtenção de um green card, que atesta a vassalagem de Eduardo, mas fizeram questão de comemorá-la.  Escreveu Figueiredo no X: 

Parabéns, Eduardo, pela obtenção da residência permanente (“Green Card”) nos EUA como indivíduo de habilidades extraordinárias. Você merece! Aqui, na Terra dos Livres, você está protegido. (…) Aproveito para registrar publicamente o agradecimento ao presidente Donald Trump e a todos da sua administração que tornaram isso uma possibilidade. Que venham mais novidades boas!”.

A dupla de golpistas expatriados parece mais preocupada com seus objetivos pessoais do que com o sucesso nas eleições. 

Ingovernáveis

A campanha de Flávio Bolsonaro, claro, silenciou sobre o green card. Integrantes da cúpula têm feito um esforço hercúleo para tentar conter os danos causados pelo tarifaço e jogar a responsabilidade nas costas de Lula.

A comemoração de um green card, além de ser patética para quem se diz patriota, joga luz em algo que a campanha tenta esconder. Além de todos os percalços no caminho de Flávio, ainda é preciso lidar com o estrago dos dois maluquinhos ingovernáveis.  

Ainda não foi esclarecido como Eduardo Bolsonaro está financiando a sua vida luxuosa no Texas. Há fortíssimas suspeitas de que parte dos R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção de “Dark Horse” foi usada pelo ex-deputado.

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Afinal, o controlador do fundo em que a grana foi depositada é simplesmente o advogado de Eduardo. Já se passou mais de um mês desde que a campanha de Flávio Bolsonaro prometeu que a produtora do filme e o fundo fariam uma prestação de contas do filme. Até hoje ninguém apareceu para dar as caras. 

O destino do dinheiro que o maior ladrão do Brasil enviou para o fundo do advogado de Eduardo ainda é um mistério. O que sabemos é que não está faltando grana para Eduardo Bolsonaro se sustentar nos EUA, longe disso. Aqueles R$ 2 milhões doados pelo pai criminoso acabaram faz tempo, mas ele teve bala pra alugar  uma mansão avaliada em  R$ 6 milhões.

Paulo Figueiredo é outro que está com dinheiro sobrando. Há pouco mais de 7 meses ele também comprou uma mansão de R$ 6 milhões. Esse valor é um pouco mais alto do que ele deve à União (R$ 4,9 milhões) pela participação em um esquema de fraudes tributárias contra a Receita Federal. Esse honra o patriotismo de seu avô ditador, que preferia seus cavalos ao povo brasileiro.  

Blindagem ameaçada

A blindagem em torno dessa nebulosa estrutura financeira está ameaçada. O publicitário Thiago Miranda, ligado a Vorcaro, tem avisado que, se cair, levará gente do meio político.

O recado chegou nos ouvidos de aliados de Flávio, que temem que o senador seja o alvo da ameaça. Thiago Miranda foi quem intermediou a negociação milionária entre Vorcaro e Flávio para o financiamento do filme  “Dark Horse”. Certamente o publicitário tem muito a dizer.

Flávio segue como uma barata tonta. Ora segue os conselhos dos seus aliados no Brasil, ora a duplinha do green card.

O fato é que a sua candidatura caminha para um abismo que, a se continuar nessa toada, pode chegar em um cenário difícil de reverter. Sem cargo público a partir de 2027 e com a Polícia Federal fechando o cerco contra seu grupo político, as chances de Flávio se juntar ao irmão nos EUA são grandes. Resta saber quem patrocinará o seu sonho americano. 

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