A candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, à presidência da República virou puro medo e delírio. As más notícias não param de chegar e nada indica que o inferno astral esteja perto do fim. O troço está tão avassalador que nem as narrativas delirantes do bolsonarismo estão dando conta de explicar tantos esqueletos no armário.
Os danos à campanha foram detectados pelos principais institutos de pesquisa, que na última semana confirmaram uma tendência de queda consolidada nas intenções de voto, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno.
Tudo o que está ruim ainda pode piorar. No dia 15 de julho, a jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, publicou uma foto do bolsonarista ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — aquele que tirou a própria vida na cadeia há poucos meses –, o capanga de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Conhecido como “Sicário”, ele foi acusado pela Polícia Federal de ser o chefe de uma gangue que monitorava e intimidava pessoas consideradas inimigas dos interesses do ex-banqueiro. Estamos falando de ações violentas, típicas das máfias. Vorcaro e o jagunço mantinham contatos diretos e frequentes para combinar os métodos e a vítima da vez.
Não que a má companhia do senador seja uma surpresa, afinal não estamos falando de um anjo de candura. Flávio estreou na vida pública como funcionário fantasma. Depois, virou um deputado que fez do seu gabinete um cabide de empregos para os parentes de um chefe de milícia. Hoje, é um senador que chama o maior bandido do Brasil de “irmão” depois de pedir R$ 134 milhões. Transitar com desenvoltura entre o mundo da política e do crime talvez seja a principal marca da sua trajetória na vida pública.
Flávio negou conhecer o “Sicário” de Vorcaro e alegou que qualquer um pode tirar foto com político. Essa seria uma possibilidade plausível não fosse a relação financeira e de irmandade que ele mantinha com o patrão do capanga.
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O contexto em que se dá a foto torna a possibilidade ainda mais remota. Ela foi tirada em 2022, dentro de um hotel da zona sul do Rio de Janeiro, em um momento de descontração em que o senador aparece sem camisa e com óculos escuros. Tem toda a pinta de que foi tirada numa churrascada à beira da piscina. Não parece uma foto de um fã qualquer que o encontrou por acaso.
Alguns anos depois desse encontro no hotel, Flávio escreveu para o patrão do “Sicário”: “Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente”. Esse não parece ser o tipo de tratamento que se tem com quem se conhece há pouco tempo. Há que ser muito inocente para acreditar que o senador não conhecia o criminoso da foto. A outra alternativa é acreditar na honra da palavra de Flávio Bolsonaro, que jurou não conhecer Vorcaro.
As pesquisas indicam que isso está ficando mais difícil. As lorotas de Flávio não estão ganhando aderência entre os eleitores que estão fora da bolha mais fiel do bolsonarismo. E é justamente essa faixa do eleitorado que ele precisa conquistar para ganhar a eleição.
A divulgação da imagem de Flávio, bastante à vontade com um criminoso, aumentou o clima de barata-voa na campanha. A assessoria de imprensa do parlamentar chegou a publicar duas notas com versões diferentes para explicar a foto.

Na primeira, enviada para o ICL, afirmou que o senador nunca viu nem conhece a pessoa da foto e levantou a possibilidade de a imagem ter sido forjada por inteligência artificial. Na segunda, distribuída pouco tempo depois, o texto foi alterado. O trecho que dizia que Flávio não conhece a pessoa da foto foi substituído por esse: “Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima”. Além disso, a suspeita sobre alteração feita pela inteligência artificial foi retirada. Essa titubeada soa quase como uma confirmação de que a foto é verídica. Há um claro temor de que novas imagens desse dia possam aparecer.
Caciques do PL já sabiam da existência da foto há meses. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto — outro que se encontra enrascado com a justiça — admitiu saber da existência há um mês. Nenhum dos caciques colocou em xeque a veracidade da foto. Já a ala norte-americana da campanha, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, seguiram o caminho aposto. A dupla de herdeiros do golpismo decidiu atacar a jornalista e dizer que a foto foi forjada. O apito de cachorro impulsionou uma onda de ataques de perfis bolsonaristas contra Dal Piva, que passaram a usar o mesmo apelido misógino inventado pela duplinha do barulho.
Curiosamente, boa parte dos parlamentares do PL ignorou a admissão dos caciques do partido e apostou na tese de que a foto é falsa. Não houve um alinhamento de estratégia.
Faltando um mês para o início da campanha, Flávio e sua turma continuam batendo cabeça. E há mais problemas no horizonte. Segundo apuração da Bela Megale, de O Globo, já se sabe da existência de um vídeo em que o senador aparece em uma situação comprometedora para um homem da tradicional família brasileira. Há até uma estratégia definida caso as imagens vazem. A esposa do senador tem dito a pessoas próximas que houve uma crise no casamento, mas que ele mudou, entrou para a igreja e que a família “está mais forte do que nunca”. Pelo visto o martírio público de Flávio ainda vai longe. Que assim seja.
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