Members of the Elite Unit of the Brazilian Military Police (BOPE) pose under the Christ the Reedemer statue after practicing maneuvers on Corcovado Hill in Rio de Janeiro, Brazil, on April 6, 2013. Rio de Janeiro will host matches of the FIFA Confederation Cup in June and the 2013 World Youth Day international Catholic gathering in July.   AFP PHOTO / CHRISTOPHE SIMON        (Photo credit should read CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images)

Assassino de Marielle e Anderson pode ser um caveira do Bope

Divisão de Homicídios pediu inspeção em todas submetralhadoras HK MP-5 da tropa de elite da PMERJ.

Members of the Elite Unit of the Brazilian Military Police (BOPE) pose under the Christ the Reedemer statue after practicing maneuvers on Corcovado Hill in Rio de Janeiro, Brazil, on April 6, 2013. Rio de Janeiro will host matches of the FIFA Confederation Cup in June and the 2013 World Youth Day international Catholic gathering in July.   AFP PHOTO / CHRISTOPHE SIMON        (Photo credit should read CHRISTOPHE SIMON/AFP/Getty Images)

O caso Marielle

Parte 11

Marielle Franco virou um símbolo internacional após seu assassinato no dia 14 de março de 2018. Com os olhos do mundo no Rio de Janeiro, todos estão perguntando: #QuemMandouMatarMarielle? E por quê?


Um caveira do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, tropa de elite da Polícia Militar, pode estar por trás das execuções da vereadora Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista, Anderson Gomes. A suspeita levou a Divisão de Homicídios, a DH, a solicitar ao comando do Bope a apresentação de todas as submetralhadoras HK MP-5 para a realização de exame de comparação balística, segundo duas fontes ligadas à investigação que falaram ao The Intercept Brasil sob a condição de anonimato. A iniciativa foi tomada na manhã desta quarta-feira, após a conclusão de peritos que atuaram na reprodução simulada do assassinato, iniciada na noite da última quinta-feira e que se estendeu até a madrugada de sexta.

FILE - A file photo dated 15 March 2010 shows machine pistols MP5 made by German weapon manufacturer Heckler & Koch at the police shooting range in Freiburg, Germany, 15 March 2010. According to reports by peace activists, these weapons were delivered to the Egyptian police in the past. Egpyt has received deliveries of tank part, submarine material and machine pistols for years. The German government has now stopped these exports because of the unrest and orders aren't being filled anymore. Photo by: Patrick Seeger/picture-alliance/dpa/AP Images

Submetralhadoras MP-5 fabricadas pela empresa alemã Heckler & Koch. Foto: Patrick Seeger/picture-alliance/dpa/AP Images

Conforme The Intercept Brasil antecipou no dia 8, os investigadores da DH tinham dúvidas entre três modelos de submetralhadora que poderiam ter sido usados na emboscada. A única certeza é que por trás do gatilho havia um atirador de elite. A constatação de que a arma usada foi mesmo uma HK MP-5, somada ao trabalho de investigação, reforçou a hipótese de participação de um caveira, como são conhecidos os policiais que passam pelo treinamento do Bope, nos assassinatos.

Desenvolvida pela empresa alemã Heckler & Koch, a HK MP-5 é amplamente usada por equipes de elite da Polícia Militar (Bope e Batalhão de Choque), Exército e pela Polícia Federal. Contudo, apenas as armas desse modelo em uso pelo Bope foram solicitadas para exame de comparação balística. A explicação é que um dos PMs citados por uma testemunha sob proteção da Polícia Civil recebeu treinamento no Bope e, mesmo após ser transferido para outro batalhão, mantinha vínculo com policiais da unidade de elite.

O suposto envolvimento do caveira no crime foi levantado a partir de depoimentos da testemunha, que apontou como mandantes do crime o vereador Marcello Siciliano, do PHS, e ex-PM Orlando de Oliveira Araújo, que está preso desde outubro passado por envolvimento em outros dois assassinatos. Apontado pela testemunha como chefe de uma milícia que atua na Zona Oeste do Rio, o ex-PM foi ouvido nesta quarta-feira por uma equipe da DH no presídio Bangu 1.

RIO DE JANEIRO, RJ, 10.05.2018: MARIELLE-RECONSTITUIÇÃO - Policiais civis e militares, além de homens do Exército participam, na noite desta quinta-feira (10), da reconstituição da morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL). O crime completa dois meses na próxima segunda-feira (14).  A vereadora e o motorista Anderson Gomes foram mortos quando voltavam de um debate na Lapa, no centro do Rio, e iam em direção à Tijuca, zona norte. No caminho, no bairro do Estácio (centro), um carro emparelhou com o de Marielle e disparou. Ela morreu na hora com quatro tiros na cabeça.  É nesse trecho, na esquina das ruas João Paulo 1º e Joaquim Palhares, que policiais fazem a reconstituição.  (Foto: Marcelo Fonseca/Folhapress)
RIO DE JANEIRO, RJ, 10.05.2018: MARIELLE-RECONSTITUIÇÃO - Policiais civis e militares, além de homens do Exército participam, na noite desta quinta-feira (10), da reconstituição da morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL). O crime completa dois meses na próxima segunda-feira (14).  A vereadora e o motorista Anderson Gomes foram mortos quando voltavam de um debate na Lapa, no centro do Rio, e iam em direção à Tijuca, zona norte. No caminho, no bairro do Estácio (centro), um carro emparelhou com o de Marielle e disparou. Ela morreu na hora com quatro tiros na cabeça.  É nesse trecho, na esquina das ruas João Paulo 1º e Joaquim Palhares, que policiais fazem a reconstituição.  (Foto: Ricardo Borges/Folhapress)

Orlando Curicica, como o ex-PM é conhecido, estava preso em Bangu 9, unidade onde estão concentrados ex-policiais condenados e presos preventivamente, mas foi transferido para uma cela em Bangu 1, isolado dos demais presos. De acordo com o advogado Daniel Darlan, Orlando Curicica e sua família vêm sofrendo ameaças desde que seu nome foi divulgado como sendo um dos mandantes do crime. O advogado chegou a dizer hoje que o ex-PM foi alvo de uma tentativa de envenenamento.

As secretarias de Segurança Pública, de Administração Penitenciária e a Divisão de Homicídios não se pronunciam sobre a investigação, que está sob sigilo. Citados pela testemunha, o vereador Marcello Siciliano e o ex-PM negam envolvimento nas mortes de Marielle e Anderson.

Foto em destaque: Integrantes do Bope possam em frente ao Cristo Redentor no Rio de Janeiro.

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