Mutretas de aliados afundam mais a candidatura de Flávio Bolsonaro

Mutretas de aliados afundam mais a candidatura de Flávio Bolsonaro

Polícia Federal fez novas operações contra o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o pastor e empresário Márcio Poncio e o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, todos bolsonaristas convictos.

Mutretas de aliados afundam mais a candidatura de Flávio Bolsonaro

Caos e Paixão

Parte 14

Na newsletter Caos e Paixão, João Filho disseca o cenário político, judicial e social com a experiência de quem construiu o Jornalismo Wando — unindo ironia e uma visão crítica que você não encontra na grande mídia.


Faltando poucos meses para o início da eleição, a pré-candidatura à presidência da República do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, não para de rolar ladeira abaixo. Além da Vaza Flávio e das pendengas familiares com a esposa do seu pai, Michelle, o filho mais velho de Jair não para de ver gente do seu entorno envolvida com mutretas de todo tipo. Dia sim, dia não, aparece o nome de algum bolsonarista nas páginas policiais. 

Depois de trabalhar para o governo americano classificar o Comando Vermelho, o CV, como grupo terrorista, Flávio vê agora parte do seu grupo político rodando em investigações contra o mesmo Comando Vermelho. 

A nova fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, a PF, deflagrada em 2 de julho, pegou muita gente ligada ao bolsonarismo. Esta etapa da investigação apura uma suspeita de lavagem de dinheiro praticada pela cúpula do jogo do bicho e a ramificação do esquema entre integrantes do Executivo e do Legislativo do Rio de Janeiro. A PF encontrou nas planilhas em poder do bicheiro Adilsinho, que também foi um dos alvos da operação, registros de pagamentos indevidos, doações eleitorais, repasse a agentes políticos e uma contabilidade paralela usada para ocultar movimentações de dinheiro ilícito. 

A máfia tomou conta do Rio de Janeiro e todas as suspeitas indicam que o bolsonarismo é o seu braço político. Rodrigo Bacellar, que foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, e chegou a ser governador interino do estado, é um dos principais aliados políticos do pré-candidato Flávio Bolsonaro no Rio. Bacellar, que já estava preso, foi alvo de novo pedido de prisão. Ele e o ex-governador Cláudio Castro, outro aliado do senador, apareceram nas planilhas do bicheiro como possíveis beneficiários do esquema. Agora o ex-presidente da Alerj será mandado para um presídio de segurança máxima, já que a Polícia Federal o considera um “criminoso de alta periculosidade”

Outro bolsonarista que foi preso nesta semana foi o pastor e empresário do ramo do tabaco Márcio Poncio. Ele é suspeito de lavagem de dinheiro e envolvimento com esquemas criminosos da “máfia dos cigarros” e do jogo do bicho, comandados por Adilsinho. Conhecido como “pastor do cigarro”, Poncio é bolsonarista convicto e já citou a Bíblia para defender a anistia para os criminosos do 8 de Janeiro. 

O candidato presidencial representante dessa esculhambação que virou o Rio de Janeiro é inequivocamente Flávio Bolsonaro. As evidências são fartas. Já podemos até começar a fazer um bolão para adivinhar qual bolsonarista será punido pelo governo americano por associação ao Comando Vermelho.

LEIA TAMBÉM:

Outro pastor bolsonarista que tem desfilado nas manchetes policiais é o deputado Sóstenes Cavalcante, que é líder do partido de Flávio na Câmara. Ele rodou bonito em outra operação da Polícia Federal, a Galho Fraco II, que apura a existência de um esquema de desvio de verbas da cota parlamentar com o aluguel de veículos. 

Segundo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, há “fundamentadas razões” para acreditar que Sóstenes utilizou empresas de fachada para lavar dinheiro desviado de verbas do Congresso. 

Em dezembro, a Polícia Federal encontrou em um imóvel do deputado R$ 468,7 mil embalados em saco plástico e escondidos em um guarda-roupa. À época, Sóstenes alegou que a grana era proveniente de uma venda de imóvel em Minas Gerais. Mas o pastor mentiu. A tal negociação imobiliária só foi oficializada em cartório 11 dias após a Polícia Federal apreender a grana na casa dele. É claro que a polícia não caiu nessa conversinha. Segundo os investigadores, essa manobra foi “uma possível tentativa de fabricar um lastro retroativo para conferir aparência de licitude ao montante localizado”. 

Para o azar do pastor, a grana encontrada na casa dele tinha identificadores de origem. Ao analisar a origem do dinheiro, a polícia identificou uma rede de empresas localizadas no mesmo endereço. Algumas delas não têm nem funcionários registrados, o que é incompatível com a alta movimentação de recursos, com saques que somaram mais de R$ 15 milhões nos últimos anos.

Na ação da última quarta-feira, 1º de julho, a PF encontrou mais dinheiro vivo em endereços de pessoas ligadas ao bolsonarista. Foram apreendidos aproximadamente R$ 160 mil e 502 dólares em espécie. Parte da grana foi encontrada escondida em livros falsos. 

Todo o modus operandi cheira à bandidagem. Mesmo sob tantas suspeitas, o pastor continua prestigiado junto ao candidato Flávio Bolsonaro. A primeira investida da PF contra ele foi há sete meses, mas o deputado continua firme na liderança do PL na Câmara. Para efeito de comparação, Jaques Wagner, que era líder do governo no Senado, foi forçado a sair do cargo seis dias — o que já é uma eternidade — após a busca e apreensão contra ele. 

A candidatura de Flávio Bolsonaro está chegando ao ponto de se tornar inviável. Está ficando cada vez mais difícil encontrar gente do seu núcleo político que não tem uma nuvem de suspeita sobre si. Além do histórico de envolvimento com milicianos, Flávio agora tem mais uma série de razões para se preocupar. Tem “Dark Horse”, Vaza Flávio, Tariflávio, Michelle, Comando Vermelho e pastor líder do partido suspeito de roubar dinheiro público. São muitas as marcas com as quais Flávio terá que lidar durante a campanha. E, com tantas investigações rolando, tudo indica que há muito mais por vir. Aguardemos as cenas do próximo capítulo.

A VERDADE CUSTA CARO. O SILÊNCIO CUSTA AINDA MAIS.

As informações que você acabou de ler incomodam muita gente poderosa. É por isso que tentam nos silenciar com processos, ameaças e difamação.

A única barreira entre a verdade e a impunidade é um jornalismo sem rabo preso. O Intercept Brasil não tem donos bilionários e não aceita um único centavo de bancos ou políticos.

Nós acabamos de entregar os fatos. Agora, a bola está com você.  Se essa história te indignou, transforme isso em ação. Mostre a eles que não estamos sozinhos e garanta que ninguém nos cale.

DOE AGORA