Mensagem foi enviada pelo WhatsApp a bolsonaristas de Volta Redonda enquanto protestos ocorriam; cidade tem caso suspeito de Covid-19.

Em áudio no WhatsApp, Bolsonaro dá parabéns a manifestações que devem aumentar propagação do coronavírus

Mensagem foi enviada pelo WhatsApp a bolsonaristas de Volta Redonda enquanto protestos ocorriam; cidade tem caso suspeito de Covid-19.

Mensagem foi enviada pelo WhatsApp a bolsonaristas de Volta Redonda enquanto protestos ocorriam; cidade tem caso suspeito de Covid-19.

A crise do coronavírus

Parte 8


O presidente Jair Bolsonaro enviou pelo WhatsApp uma mensagem de áudio em que diz querer “parabenizar” moradores de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, que foram às ruas no último domingo se manifestando pelo fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.

Além de incentivar um movimento de claro caráter golpista, Bolsonaro mostra que não leva a sério as recomendações de especialistas em combate a epidemias e de seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para evitar a propagação do novo coronavírus. Na sexta, o ministério havia recomendado “a redução do contato social o que, consequentemente, reduzirá as chances de transmissão do vírus, que é alta se comparado a outros coronavírus do passado”.

O áudio foi enviado a grupos bolsonaristas no WhatsApp quando as manifestações ainda ocorriam.

 

Ainda no domingo, o próprio Bolsonaro postou, no Facebook, um vídeo que mostra dezenas de pessoas aglomeradas em volta de um carro de som que veiculava sua mensagem.

É exatamente o contrário do que recomendam todas as autoridades de saúde do mundo. Hoje, a chefe clínica da Organização Mundial da Saúde, Maria Van Kerkhove, disse que é “importante que as pessoas não participem dessas manifestações”. Ela respondeu a uma pergunta do jornalista Jamil Chade sobre os protestos deste domingo no Brasil.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também pediu “compromisso político de mais alto nível” contra o coronavírus. Ao que parece, não poderá contar com o governo brasileiro.

Contra o plano de contingência

Volta Redonda tem um caso suspeito de Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Em Barra Mansa, a menos de 12 quilômetros dali, há um caso confirmado. A região sul do estado, em que está a cidade, tem 16 suspeitas de infecção pelo vírus.

Também na sexta-feira, a prefeitura de Volta Redonda anunciou um plano de contingência contra o novo coronavírus. “Decidimos pela suspensão temporária de atividades que tenham aglomeração de pessoas”, disse o prefeito Samuca Silva, eleito pelo PV e atualmente no PSC. Silva disse não apoiado Bolsonaro em 2018, mas o PSC é o partido ao qual o presidente foi filiado durante anos e que ainda abriga o vereador Carlos Bolsonaro. O PSC apoiou o então candidato a presidente em 2018 e segue alinhado ao governo do presidente de extrema direita no Congresso.

Na quinta-feira passada, Bolsonaro fez jogo de cena e disse, em rede nacional de rádio e televisão, que as manifestações deveriam ser repensadas. “Nossa saúde e de nossos familiares devem ser preservadas”, justificou-se.

Só que era mentira. A saúde – mesmo a de seus apoiadores – não importa ao presidente. A agenda política dele, claramente golpista, está acima de tudo e de todos.

 

Correção: 16 de março, 19h20

Uma versão anterior deste texto informava que o prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva, foi eleito pelo PSDB e apoiou Jair Bolsonaro em 2018. Na verdade, ele se elegeu pelo PV e não apoiou ninguém no segundo turno após fazer campanha por Alvaro Dias, do Podemos, no primeiro. O erro foi corrigido.

S.O.S Intercept

Peraí! Antes de seguir com seu dia, pergunte a si mesmo: Qual a chance da história que você acabou de ler ter sido produzida por outra redação se o Intercept não a tivesse feito?

Pense em como seria o mundo sem o jornalismo do Intercept. Quantos esquemas, abusos judiciais e tecnologias distópicas permaneceriam ocultos se nossos repórteres não estivessem lá para revelá-los?

O tipo de reportagem que fazemos é essencial para a democracia, mas não é fácil, nem barato. E é cada vez mais difícil de sustentar, pois estamos sob ataque da extrema direita e de seus aliados das big techs, da política e do judiciário.

O Intercept Brasil é uma redação independente. Não temos sócios, anúncios ou patrocinadores corporativos. Sua colaboração é vital para continuar incomodando poderosos.

Apoiar é simples e não precisa custar muito: Você pode se tornar um membro com apenas 20 ou 30 reais por mês. Isso é tudo o que é preciso para apoiar o jornalismo em que você acredita. Toda colaboração conta.

Estamos no meio de uma importante campanha – a S.O.S. Intercept – para arrecadar R$ 250 mil até o final do mês. Nós precisamos colocar nosso orçamento de volta nos trilhos após meses de queda na receita. Você pode nos ajudar hoje?

Apoie o Intercept Hoje

Inscreva-se na newsletter para continuar lendo. É grátis!

Este não é um acesso pago e a adesão é gratuita

Já se inscreveu? Confirme seu endereço de e-mail para continuar lendo

Você possui 1 artigo para ler sem se cadastrar