Com direito a uma cerimônia anunciada nas redes sociais pelo pré-candidato a presidente e deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o general do Exército Antonio Hamilton Martins Mourão se despediu nesta quarta-feira do quadro da ativa das Forças Armadas. Em setembro do ano passado, o oficial foi criticado pelos próprios colegas após fazer um discurso em que falava da possibilidade de intervenção militar diante da crise das instituições no país.
“Os Poderes terão que buscar uma solução, se não conseguirem, chegará a hora em que teremos que impor uma solução… e essa imposição não será fácil, ela trará problemas”, afirmou à época.
A atitude de Mourão pode sinalizar uma participação do general em uma futura chapa de Bolsonaro. A assessoria de imprensa do Comando do Exército informou que Mourão “solicitou sua transferência para a reserva remunerada, uma vez que atendeu os requisitos previstos no Estatuto dos Militares (Lei nº 6.880), passando para a situação de agregado (deixando de ocupar vaga na escala hierárquica de seu quadro)”.
A cerimônia aconteceu no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Paraquedista, no Rio de Janeiro, onde o militar serviu. Também houve um coquetel em homenagem ao oficial.
Em dezembro do ano passado, a situação de Mourão ficou ainda mais complicada depois que ele fez críticas ao governo Michel Temer, dizendo que se equilibra mediante um “balcão de negócios”. À época, o general foi transferido da função de secretário de Economia e Finanças para adido na Secretaria-Geral do Exército.
No mesmo período, Mourão fez elogios a Bolsonaro e passou a ser cogitado como um possível integrante da chapa do pré-candidato.
“O deputado Bolsonaro já é um homem testado, é um político com 30 anos de estrada, conhece a política. E é um homem que não tem telhado de vidro, não esteve metido aí nessas falcatruas e confusões”, disse.
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