Com o estado afundado numa grave crise que está fazendo até com que servidores tenham de apelar para campanhas de arrecadação de alimentos para sobreviver, o governador Luiz Fernando Pezão pediu licença médica do cargo por uma semana para passar este período num paraíso em Penedo, na Região Serrana, cujo dono é um velho conhecido do governo.
Na tarde desta segunda (17), o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, publicou que Pezão está se refugiando no Rituaali, um spa onde também funciona desde maio do ano passado uma clínica médica. A informação foi confirmada pelo governo, que informou a The Intercept Brasil que o chefe do Executivo fluminense está lá desde domingo. De acordo com o site da Receita Federal, o estabelecimento tem como sócio-administrador Marcos Ferreira Trindade, um dos homens fortes da FSB, empresa que realiza trabalhos de assessoria de imprensa para o governo.
Empresa ganhou força com PMDB no Rio
A FSB é uma verdadeira gigante do setor, com pelo menos quatro firmas relacionadas ao nome. No Rio, está muito ligada ao PMDB, com contratos ao longo do governo de Sérgio Cabral e também com a prefeitura da capital, durante a gestão de Eduardo Paes.
Trindade é atualmente diretor da FSB Holding. A empresa é uma das sócias da FSBPar que, por sua vez, está entre as donas da FSB Estratégia em Comunicação. Esta última tem contrato com o governo estadual desde 2011, que foi sendo prorrogado com uma série de aditivos. O mais recente – oitavo – foi publicado no dia 20 de setembro de 2016 em Diário Oficial.
Procurada por TIB, a assessoria de imprensa de Pezão encaminhou um atestado assinado pelo médico Cláudio Sahione Schettino, que informa que o governador precisa se afastar das atividades de trabalho por motivos de saúde.
Pezão: despesas pagas com recursos próprios
A assessoria também informou que Pezão está na Rituaali “pagando todas as despesas com recursos próprios e sem benefícios”.
Esta não é a primeira vez que o governador vai ao spa de Marcos Trindade em Penedo. Em fevereiro do ano passado, ele já havia passado quatro dias no local com a primeira-dama.
Em abril deste ano, o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea), órgão ambiental do governo estadual, concedeu à Rituaali uma licença prévia de instalação (LPI), com duração de quatro anos.
O Intercept é sustentado por quem mais se beneficia do nosso jornalismo: o público.
É por isso que temos liberdade para investigar o que interessa à sociedade — e não aos anunciantes, empresas ou políticos. Não exibimos publicidade, não temos vínculos com partidos, não respondemos a acionistas. A nossa única responsabilidade é com quem nos financia: você.
Essa independência nos permite ir além do que costuma aparecer na imprensa tradicional. Apuramos o que opera nas sombras — os acordos entre grupos empresariais e operadores do poder que moldam o futuro do país longe dos palanques e das câmeras.
Nosso foco hoje é o impacto. Investigamos não apenas para informar, mas para gerar consequência. É isso que tem feito nossas reportagens provocarem reações institucionais, travarem retrocessos, pressionarem autoridades e colocarem temas fundamentais no centro do debate público.
Fazer esse jornalismo custa tempo, equipe, proteção jurídica e segurança digital. E ele só acontece porque milhares de pessoas escolhem financiar esse trabalho — mês após mês — com doações livres.
Se você acredita que a informação pode mudar o jogo, financie o jornalismo que investiga para gerar impacto.